segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Review da Semana


Gov't Mule - High & Mighty

Depois de longíssimo recesso, onde milhares de coisas aconteceram, resolvi retomar a escrita neste espaço, pelo menos até onde der.

Hoje, falarei um pouco sobre o albúm High & Mighty, da banda americana Gov't Mule.

Lançado em 2006, o albúm soa como uma ode ao rock setentista. A banda, formada por Matt Abts (bateria), Andy Hess (baixo), Danny Louis (teclados) e capitaneada por Warren Haynes (guitarra e voz), membro também da legendária Allman Brothers Band, faz, com muita competência, o feijão-com-arroz do estilo: Riffs pulsantes, cozinha impecável e solos impressionantes.

A faixa de abertura, Mr. High & Mighty, é um dos melhores exemplos. Um rock clássico, na melhor acepção da palavra, onde Haynes comprova sua maestria para compôr riffs ao mesmo tempo simples e viscerais.

Brand New Angel, a segunda faixa do disco, é um de seus pontos mais altos. Talvez o que mais impressione o ouvinte de primeira viagem é a forma como Haynes e Louis trabalham os arranjos de guitarra e teclado. Os dois instrumentos se complementam de uma forma única, ao longo de toda a faixa. Em diversos momentos, nem se ouve a guitarra de Haynes ou o teclado de Louis, mas sim um vazio poético e iluminador, em todos os sentidos. Tudo isso em prol da canção. Aliás, cabe também ressaltar que este trabalho de arranjo é poucas vezes visto nas bandas mais contemporâneas, adeptas da Teoria dos 5 "T's" (Todos Tocam Tudo a Todo o Tempo).

Além destes pontos destacados, cabe ainda ressaltar a demonstração que Haynes dá de sua capacidade vocal ao longo de toda a música. Com sua voz de blueseiro do sul, Haynes mostra competência e justifica por que assumiu os vocais da Allman Brothers Band, uma das bandas mais importantes do século XX, desde sua entrada no grupo, em 1989.

O disco tem outros pontos altos em Child of the Earth, onde a banda consegue uma clareza única no arranjo, trabalhando a dinâmica da canção como pouco se vê nas bandas mais modernas - Além disso, a música tem dos refrões mais bonitos do rock'n'roll contemporâneo - e Million Miles Away, com um approach extremamente setentista (lembrando, em diversos momentos feras do rock sulista americano, como Lynyrd Skynyrd e Neil Young) e melodia e letra de uma beleza ímpar.

Mas a melhor faixa do disco é Endless Parade. Aqui a banda mostra toda sua potencialidade. O arranjo simplista, conforme resta patenet no disco inteiro, é o forte do grupo. Mas Endless soa mais do que simples. É intimista. Aguça o ouvinte a colar o ouvido no rádio (ou no tocador de mp3) e se sentir numa sala de estar com a banda tocando, ao vivo, no fundo. A bateria de Abts é de uma simplicidade que talvez até choque bateiristas mais virtuosos. Mas acho que poucos destes conseguiriam imitá-la com a perfeição a que Abts a performa. A Jam no fim da música é feita especialmente para se ouvir naqueles momentos em que não se quer pensar em nada. A guitarra de Haynes é novamente pontual, somente preenchendo os momentos de silêncio, trabalhando em perfeita coordenação com seu vocal, como um contraponto mesmo. Os solos são simples e irrefutáveis, no melhor estilo blueseiro tão característico do guitarrista. A definição de "feeling" talvez devesse contar com o solo desta canção.

O disco é uma das mais belas obras do século XXI. A banda, uma das melhores dos últimos tempos. Com certeza, é um álbum pra se ouvir.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Review da Semana


John Mayer - Continuum (2006)

Mais recente álbum do guitarrista e cantor americano John Mayer,
Continuum é mais um passo de Mayer na transição do Pop para o Blues iniciada em 2005, com o disco Try, do John Mayer Trio, formado por Mayer nos vocais e guitarra, o grande Pino Palladino no contra-baixo e o competentíssimo Steve Jordan na bateria.

Continuum é, até a página nove, uma obra Pop. Porém demonstra uma grande imersão do cantor no Blues e no Soul. A guitarra de Mayer está cada vez melhor; seu timbre é cada dia mais claro e potente, com grande influência dos grandes "strateiros" como Stevie Ray Vaughan, Eric Clapton e, o maior deles, Hendrix. Alias, guardando todas as devidas proporções, a sua versão de "Bold as Love", um dos clássicos de Jimi, é tão boa quanto a original. Aliás, foi a partir desta versão que o disco chegou em minhas mãos. Mayer conseguiu dar um toque "soulful" a música, especialmente nos vocais. Imagino que, se Hendrix estivesse vivo, bateria palmas para esta faixa.

O resto do disco caminha pela mesma via: Músicas Pop, com refrões que grudam na cabeça do ouvinte, aliadas a levadas com bastante swing e arranjos, como diriam os grandes blueseiros, "kinda bluesy". Destaque para as faixas "Belief", "Slow Dancing in a Burning Room" e "Dreaming With A Broken Heart", uma balada como há muito não se via no
mainstream, com um quê de Marvin Gaye nos arranjos e SRV na guitarra. Aliás, Mayer trabalha muito bem neste álbum os arranjos da banda com sua guitarra. Ela entra sempre onde realmente deveria estar, nem um compasso a mais ou a menos. Prova disso é a faixa "Gravity", pra mim a mais bela do disco, em que Mayer consegue, com muita competência, dar emoção e ritmo ao seu instrumento e ao arranjo da mpusica, criando, pra mim, uma das mais belas composições que apareceram nesta primeira década do século XXI.

O disco tem outros pontos positivos também, como o hit "Waiting on the World to Change", com uma guitarra bastante Hendrixiana, novamente contrapondo os arranjos Soul com as cordas de Rock; "I'm Gonna Find Another You", "I Don't Trust Myself (With Loving You)" e "Vultures", uma das faixas compostas durante a época do Trio. "In Repair", faixa composta em parceria com Charlie Hunter (guitarrista base de Mayer que, em muitas faixas, toca uma guitarra de 8 cordas) tem aquela "vibe" sessentista, numa onda "Woodstockiana", que poderia ter sido muito bem interpretada por John Cocker naquele festival.

Duas faixas do álbum distoam um pouco das outras. "Stop This Train", um tema Pop (que bebe na fonte do Country), com um lindo arranjo acústico de Mayer e "The Heart of Life", que dança pela mesma pista que "Stop This Train", porém com um toque elétrico da guitarra característica do cantor.

Continuum é um disco produzido com elegância e classe. Suas músicas soam límpidas e claras para o ouvinte, com arranjos clássicos e, ao mesmo tempo, atuais. A idéia de "contínuo" que trás o título do álbum é muito bem trabalhada ao longo do disco, muito particularmente na forma como as faixas se desenvolvem. Além disso tudo, este disco mostra um Mayer renovado: ainda se esbaldando na fonte do pop, mas com seu instinto "bluesy" começando a aflorar de vez através da sua guitarra. Numa época em que a guitarra dá mais espaço a outros instrumentos, é possível vislumbrar quatro guitarristas que se diferem da maioria: Warren Haynes (Allman Brother/ Gov't Mule), Derek Trucks (Allman Brothers) John Frusciante (Red Hot Chilli Peppers) e Tom Morello (Rage Against The Machine/Audioslave). Esta obra dá ínico a caminhada de John Mayer rumo a este exclusivo patamar.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Momento Valvulados


Dicionário das Válvulas

Amigos,

Vou postar aqui uma matéria que saiu na Guitar Player ano 9, edição 98, sobre válvulas. Aqueles pequenos invólucros de vidro brilhantes que fazem todos os guitarristas babarem pelo timbre que de lá sai:




Válvulas ou transistores?

A principal diferença entre válvula e transistor é a forma de transferência interna do sinal. Na válvula, este sinal é enviado por meio de um gás e, no transistor, por intermédio de um material semicondutor sólido – por isso amplificadores transistorizados são chamados solid-state. Veja quais os prós e contras dos amps valvulados, comparando-os com os transistorizados:

Prós
- A transição entre som limpo e distorcido é mais suave do que nos aparelhos transistorizados.
- Apresentam maior faixa dinâmica, já que a válvula demora mais para entrar em distorção e comprime gradativamente o som. O transistor responde de forma brusca.
- A distorção natural das válvulas é mais bonita e musical, porque, ao distorcer, elas geram apenas os harmônicos pares, enquanto os transistores produzem todas as ordens de harmônicos.

Contras
- As válvulas devem ser substituídas com freqüência, pois sofrem desgastes. Além disso, são muito mais caras do que os transistores.
- São equipamentos mais suscetíveis a ruídos e microfonias.
- Os amps valvulados são pesados pois possuem transformadores de força maiores e um transformador de saída.- São mais frágeis, porque as válvulas não suportam impactos.- O custo é mais alto, tanto para aquisição quanto para manutenção

Amplificadores Híbridos

Amplificadores híbridos são aqueles que misturam válvulas com transistores em seus circuitos. Aliam as vantagens das duas tecnologias e possuem um preço menor do que um amp totalmente valvulado.

Power valvulado e Pré-amp Transistorizado – O pré-amp transistorizado permite recursos e ganhos maiores a um custo menor. A potência valvulada é ideal para distorções e compressões vintage. A desvantagem da distorção do power é que ela só ocorre em volumes altos. Esse problema é contornado distorcendo o sinal do pré. Como o pré-amp é transistorizado, obtemos uma distorção típica dos pedais e perde-se muito do som valvulado. O Marshall JCM900 faz parte deste grupo.

Pré-amp Valvulados e Power Transistorizado – O pré-amp valvulado preserva o timbre característico das válvulas. A potência transistorizada amplifica sem alterar o som do pré. Porém, ao contrário do power valvulado, o som não fica bom em volumes altos, porque a distorção dos transistores não tem boa qualidade. Contorna-se essa dificuldade produzindo a distorção nas válvulas do pré-amp e aumentando a potência do power, para que seja possível utilizá-lo abaixo do limiar da distorção dos transistores.

Pré-amp Híbrido e Power transistorizado – Chamamos de pré-amps híbridos aqueles que utilizam uma válvula para o canal sujo e transistores para o sinal limpo. É o caso dos Marshall Vavstate VS80 e VS100, por exemplo. É a forma mais barata de produzir um som com tempero vintage, mas não chaga a convencer os guitarristas acostumados com amps valvulados. É uma configuração cultuada por curtidores de som pesado.

Potência

O power, ou potência, é o circuito responsável pela amplificação final do som – sua função é entregar o sinal da áudio amplificado ao(s) alto-falante(s). A potência de saída é dada em watts RMS – Root Mean Squared. Quanto maior este valor, maior a potência do power. Ele pode ser valvulado, transistorizado ou híbrido (mistura as válvulas com transistores).

Pré-Amp

O pré-amplificador, como o nome indica, é o circuito usado antes do power. Ele é responsável pela amplificação do sinal do instrumento musical para o power. O pré discrimina o que é grave, médio, agudo e volume. Também pode ser transistorizado valvulado ou híbrido.

Transformador de força

O transformador de força é o componente responsável pelo fornecimento das voltagens necessárias aos diversos estágios (pré, power etc.) do amplificador. Ele pode ser um componente diminuidor de tensão em amps transistorizados. Para os valvulados, o transformador de força abaixa a tensão para acender os filamentos das válvulas e eleva a tensão para que elas funcionem. Muitos amplificadores possuem uma chave seletora manual para escolher a voltagem necessária; em alguns amps esse chaveamento é automático.

Transformador de saída

Os amplificadores valvulados necessitam de transformador de saída. Ele é necessário para efetuar o casamento de impendância entre as válvulas de saída e os alto-falantes.A impendância das válvulas é alta, normalmente entre 5 Kohms e 100 Kohms, e os alto-falantes possuem impendância de 4, 8, 16 ou 32 ohms – os mais comuns apresentam 4 ou 8 ohms. Os transformadores de saída tem uma resposta não-linear, gerando modificações no timbre. Assim, são responsáveis também pelas diferenças sonoras entre amplificadores valvulados e transistorizados.

Classes de amplificação

Em amps de potência existem formas diferentes de polarizar as válvulas ou transistores, denominadas classes de amplificação. As mais comuns são: classe A, classe B e classe AB

Classe A – Nesta classe, a corrente elétrica circula plenamente pelas válvulas ou transistores. Devido ao seu baixo rendimento, não se costuma usar esta classe acima dos 30 ou 35 watts. Exemplos: Vox AC30 e o Laney VC30 (o meu Amp)

Classe B – Os elementos amplificadores de saída, sempre em número par, funcionam de forma alternada – quando um deles conduz corrente elétrica o outro é desligado. Em classe B, a eficiência máxima de amplificação é maior do que na classe A, ou seja, desenvolvem maior potência com o mesmo número de válvulas ou transistores. A classe B é rara em amplificação para guitarra.

Classe AB – A classe AB é intermediária às classes A e B. Com uma pequena polarização nos elementos de saída obtém-se um alto rendimento, próximo da classe B, e boa linearidade (baixa distorção), como na classe A. É a classe mais utilizada nos amplificadores de guitarra. Exemplos: Marshall JCM900 e Mesa Boogie Dual Rectifier.

Válvulas de pré-Amplificador

As válvulas usadas nos pré-amps dos aparelhos para guitarra são as mesmas em todas as marcas do mercado. Isso se deve às características de alto ganho e baixa distorção destas válvulas. São ótimas para uso em som limpo e distorcido e excelente para compressores de áudio em geral.

Entre as válvulas de pré-amplificação, a mais conhecida é a 12ax7, conhecida na Europa como ECC83. Ela possui alto ganho e é fomada por duas válvulas de triodo em um mesmo invólucro, sendo assim chamada de duplo triodo. Quando queremos menor ganho ou som mais limpo, podemos usar a 12at7 (ECC81). Com ganho menor que a 12at7, as 12 au7, ou ECC82, também são muito utilizadas. Mais raras são as válvulas 12av7 e 12ay7, que oferecem um ganho entre a 12au7 e 12at7.

Phillips 12ax7 – Possuem ótimos graves, médios potentes e agudos claros. Distorcem quando saturadas e ficam um pouco agudas após um certo ponto, mas você pode controlar a agressividade com o botão de tonalidade da guitarra.

RCA 5751 – Equivalente à 12AX7, foi criada para obter maior precisão nos componentes internos e ser mias resistente a quedas, variações de pressão e outras eventualidades (foi criada para uso militar). Seu som é de alta qualidade e fidelidade. Quando saturada, pode-se distinguir as notas dos acordes

RCA 12ax7 – Tem um som equivalente ao da RCA 5751, mas distorce com mais facilidade. É um som de alta fidelidade.

Tesla ECC83 – Possui uma saturação forte nos agudos, além de médios com pouca distorção e poucos graves.Sovtek 7025 – Ganho muito alto, distorcendo com facilidade. Indicadas para envenenar pré-amps.Siemens ECC83 – Saturam muito. Possuem um som com muita distorção, mas não são agressivas, embolando as notas do acorde. Tem muito médio e pouco agudo. Boas para solos.

Válvulas de potência

6L6 – As 6L6 são válvulas de som agudo e médio-agudo. A empresa russa Svetlana continua fabricando estas válvulas. As 6L6 foram muito usadas pela Fender. O par fornece cerca de 50 watts em classe AB.

EL34 – A Marshall começou a usar as El34 porque as 6L6 americanas que a Fender empregava eram muito caras na Inglaterra. A EL34 é uma válvula de som agudo e principal responsável pelo som de Jimi Hendrix. A Svetlana EL34 equipa os Marshall e outros bons amplificadores, pois agüentam alta tensão. A potência é semelhante à das 6L6. As EL34 caracterizam o “som Marshall”.

5881 – A Sovtek fabrica as 5881, válvulas de som tipicamente médio que comprime com muita facilidade. Equipa alguns modelos da Fender, Mesa/Boogie e outros amplificadores modernos. A 5881 da Tung-Sol oferece ótima sonoridade. Um amplificador equipado com essa válvula fica com um som à la Steve Ray Vaughan. Ela possui muita compressão e som bastante claro.

6550 – Este modelo de válvula é um dos mais potentes do mercado. É uma evolução da 6L6, tem mais volume e suporta mais voltagem. Seu som é brilhante, cheio, pouco distorcido e com muita dinâmica. Comprime pouco. É uma ótima opção para quem quer um som claro e definido. Exemplos: Meteoro MHA900.

KT66 – Outra evolução da 6L6, a KT66 é uma válvula de pouca distorção e bastante linearidade. Possui um som bem limpo, menos brilhante e mais arredondado do que a 6L6. É rara e cara. É a versão inglesa da 6L6 americana.

KT88- Esta evolução da 6550 apresenta som gordo e brilhante. A Sovtek KT88 é muito semelhante à RCA 6550.

KT77 – Baseada na EL34, oferece melhor resposta de freqüência e distorce menos do que a sua inspiradora.6V6 – Possui som médio e com bastante compressão. O Fender Princeton e Champ eram produzicos com esta válvula de baixa potência – o par oferece no máximo 30 watts em classe AB.

EL84 – Válvula de baixa potência utilizada nos Vox AC30. Fornece cerca de 8 watts cada uma em classe A e se assemelham ao timbre da EL34. Usuários conhecidos dos vox AC30 são os Beatles e Brian May.

Válvulas Retificadoras

Os amplificadores assim como quase todos os aparelhos eletrônicos, funcionam com corrente contínua e corrente alternada. A corrente contínua possui uma polaridade fixa – é a fornecida por pilhas ou baterias. Quando ligamos o aparelho à tomada da rede elétrica, que fornece energia em corrente alternada, devemos trasformá-la em corrente dentro do aparelho para alimentar seus circuitos. Esta transformação é realizada pelo retificador – alguns modelos possuem mais de um. Nos aparelhos valvulados mais antigos ou em suas reedições, usava-se um único retificador. Após a invenção do diodo, um retificador menor, mais eficiente e barato, a válvula retificadora caiu em desuso. Costuma-se usar um ou mais diodos para efetuar a retificação.Existem algumas diferenças entre o som do amp equipado com válvulas retificadoras e o timbre de aparelho com diodos. Para seu funcionamento, as válvulas retificadoras usam parte da energia fornecida pela fonte do amplificador. Já o diodo não usa energia e custa mais barato. Com válvula retificadora, o som do amp fica mais macio, enquanto os diodos produzem uma sonoridade mais seca.Válvulas retificadoras – Existem vários tipos de retificadoras e, em alguns cassos, um técnico pode substituí-las por modelos diferentes para mudar o som do amp. Aqui estão as mais comuns:

5Y3GT – Usada em amps pequenos, como Fender Champ e Tweed Deluxe. É uma retificadora dupla, ou seja, duas válvulas retificadoras dentro do mesmo invólucro. Puxa uma boa corrente da fonte, amaciando bastante o som.

5U4GB – Muito usada em antigos Fender Twin e Silverface. É uma retificadora dupla. O consumo de corrente de seu filamento é alto e, em caso de usá-la em substituição a outro tipo de válvula, deve-se verificar se o transformador de força pode suportá-la.

GZ34 (5AR4) – É uma retificadora dupla. Sem dúvida, a mais conhecida e usada. Os Fender Tweed Bassman e Twin são exemplos de amps que empregam a GZ34. Por consumir menos energia da fonte, fornece maior voltagem de saída e, por isso, não devem substituir outras válvulas, sob pena de danificar componentes do amp.

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Bom, a minha experiência com válvulas é limitada às 12ax7, no campo das válvulas de pré, e às EL34, EL84 e 6l6, dentre as válvulas de power. E é sobre essas que eu posso dar minha opinião de leigo em eletrônica.

Quanto a 12ax7, pouco posso dizer. Ela é utilizada no pré-amp e pedal de drive Meteoro Dr. Drive que possuo e no meu amplificador, o Laney VC30 212. Realmente, esta válvula produz muito ganho, o que faz excitar mais ainda as válvulas de power, que é de onde vem toda a graça de se ter um valvulado.

As EL84 que possuo no meu amp são válvulas extraordinárias. Na época da compra, pesquisei muito para adquirir meu valvulado. Sempre fui fã do som de Marshall: Hendrix, Page, Slash e etc. Mas, sempre que toquei em amps com válvulas El34 sentia falta de um clean mais vivo, mas cheio, apesar de terem drives magnificos. Em contra partida, sempre achei horríveis os drives das 6l6, em especial nos amps da Fender, apesar de terem o clean mais límpido e transparente de todos, apesar sendo extremamente cremoso, o que me incomoda ás vezes, pois sinto falta do "estalo" que as EL34 proporcionam.

Ao ouvir os sons que os Vox AC30 entregavam, me dei conta de que era aquilo que eu procurava: Um clean vivo, cheio, mas ao mesmo estalado, e um drive que, mesmo não sendo forte e cheio como o de um Marshall com El34, é bastante crunchado e, sabendo escolher os pedais para complementá-lo, um overdrive poderosíssimo.

Como no meu orçamento não cabia um AC30, fui procurando opções de timbre próximos ao dele. Fui até atrás dos handmades, onde é possível conseguir ótimas opções por preços mais em conta. Mas o fator revenda, pra mim, foi muito importante, e acabei conseguindo um bom preço no meu amplificador, o que me fez escolhê-lo e, depois de ouvir o que ele pode fazer, ter a certeza que será meu companheiro por muito tempo.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Review da Semana


Ibañez Tubescreamer

O primeiro review do blog é do talvez mais conhecido e mais utilizado pedal do mundo: O Tubescreamer, da Ibañez, na sua versão TS-9. Essa latinha verde é vista no pedalboard de vários grandes da guitarra, e é talvez a melhor opção pra quem busca um overdrive transparente, que não altere muito o timbre da guitarra e seja um bom "booster" para pedais mais pesados na hora dos solos.

Eu, particularmente, uso o TS-9 como drive principal. O crunch que ele dá em humbuckers e o timbre que ele adiciona em singles é impressionante. Parece que ele dá a cor exatamente necessária para dar vida ao seu instrumento e equipamento. Além disso, o Tube Screamer também responde maravilhosamente a palhetada. A dinâmica dele é absurda, realmente como se estivesse tocando num amplificador valvulado.

Mas a principal utiização desse drive maravilhoso é, sem dúvida, como "booster" de distorções mais pesadas. É assim que a maioria dos proprietários deste pedal o utilizam, com destaque para as combinações com o Pro Co RAT II e com os fuzzes, em especial os com transistores de silício, como o Big Muff.

No primeiro caso, o TS-9 vem com um complemento à distorção, ou seja, ele comprime mais o sinal, tornando mais grave e pesado o som da distorção, que em muitas vezes pode ser magro.

Já com fuzzes, em especial o Big Muff, ele transforma o gigante russo. O Muff é, em sua essência, um pedal que comprime demais o sinal, pouco dinâmico e excessivamente grave. O uso de um TS-9 ou um compressor na frente dele tem o efeito de "abrir" o som do fuzz, tornando-o muito dinâmico e pesado, excelente para solos e riffs de peso. Alias, David Gilmour, guitarrista do Pink Floyd, se utiliza várias vezes deste truque para tornar seu Muff num mostro de timbre e som (neste caso, Gilmour usa um Chandler Tube Driver, antecessor do Tube Screamer).

Muito se diz que o uso do TS-9 é potencializado em guitarras com single-coil. Na verdade, ele encaixa muito bem com qualquer tipo de captador, obviamente que você obterá diferentes respostas do pedal a depender da captação escolhida.

Com singles, ele dá mais peso e um pequeno crunch, muito útil e dinâmico para rock'n'roll e para diminuir aquele "Twang" e os agudos excessivos das Stratos. Muito parecido é o resultado com P-90's, mas com maior crunch.

Já com Humbuckers, a resposta de crunch/overdrive é ainda maior, ou seja, além de garantir aquele timbre clássico do Tube Screamer, ele adiciona mais crunch conforme se abre o knob de "Drive", tornando-se até um distortion mais calmo (não tão ardido quanto o RAT ou o Guv'nor, por exemplo).

Quanto a outros atributos, como construção, durabilidade, não há muito do que se queixar. Ele é padrão BOSS em tamanho e fonte (9v). Tive pequenos problemas com o acionamento dele, algumas soldas frias, mas nada que comprometa ou dê trabalho excessivo ao dono.

Infelizmente, no Brasil, o país dos tributos, ele chega a um preço muito alto (média de R$450) enquanto que nos EUA é um pedal de preço médio/baixo (média de US$ 99). Suas outras versões chegam a preços mais absurdos ainda (R$ 600 em média por um TS-9 DX ou por um TS-808, o mais famoso da família).

Enfim, o Tube Screamer da Ibañez é o que podemos chamar de "Must Have" para qualquer guitarrista.

Estréia

Olá, amigos!

Bom, vamos começar do começo. Desde muito tempo é do meu intuito compartilhar minhas idéias sobre música com quem quiser ler. Esse blog será algo bem vasto, bastante abrangente, pois pretendo dar meu pitaco sobre qualquer assunto que se relacione com o meio musical, desde instrumentos e equipamentos musicais até o que há de novo no mundo da música, seja ela independente ou mainstream.

Sou músico (guitarrista) nas horas vagas, apaixonado por conhecimento. Cada dia mais eu estudo, leio, vejo pessoas falando e tento absorver o máximo de informação possível. E aqui vai ser o meio pelo qual eu vou tentar discorrer sobre o que eu aprendi nesses últimos 5 anos de pesquisa sobre música em geral.

Bom, depois deste primeiro post introdutório, vamos ao trabalho. A partir da próxima postagem se inicia o blog.

Boa viagem!