segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Review da Semana


Gov't Mule - High & Mighty

Depois de longíssimo recesso, onde milhares de coisas aconteceram, resolvi retomar a escrita neste espaço, pelo menos até onde der.

Hoje, falarei um pouco sobre o albúm High & Mighty, da banda americana Gov't Mule.

Lançado em 2006, o albúm soa como uma ode ao rock setentista. A banda, formada por Matt Abts (bateria), Andy Hess (baixo), Danny Louis (teclados) e capitaneada por Warren Haynes (guitarra e voz), membro também da legendária Allman Brothers Band, faz, com muita competência, o feijão-com-arroz do estilo: Riffs pulsantes, cozinha impecável e solos impressionantes.

A faixa de abertura, Mr. High & Mighty, é um dos melhores exemplos. Um rock clássico, na melhor acepção da palavra, onde Haynes comprova sua maestria para compôr riffs ao mesmo tempo simples e viscerais.

Brand New Angel, a segunda faixa do disco, é um de seus pontos mais altos. Talvez o que mais impressione o ouvinte de primeira viagem é a forma como Haynes e Louis trabalham os arranjos de guitarra e teclado. Os dois instrumentos se complementam de uma forma única, ao longo de toda a faixa. Em diversos momentos, nem se ouve a guitarra de Haynes ou o teclado de Louis, mas sim um vazio poético e iluminador, em todos os sentidos. Tudo isso em prol da canção. Aliás, cabe também ressaltar que este trabalho de arranjo é poucas vezes visto nas bandas mais contemporâneas, adeptas da Teoria dos 5 "T's" (Todos Tocam Tudo a Todo o Tempo).

Além destes pontos destacados, cabe ainda ressaltar a demonstração que Haynes dá de sua capacidade vocal ao longo de toda a música. Com sua voz de blueseiro do sul, Haynes mostra competência e justifica por que assumiu os vocais da Allman Brothers Band, uma das bandas mais importantes do século XX, desde sua entrada no grupo, em 1989.

O disco tem outros pontos altos em Child of the Earth, onde a banda consegue uma clareza única no arranjo, trabalhando a dinâmica da canção como pouco se vê nas bandas mais modernas - Além disso, a música tem dos refrões mais bonitos do rock'n'roll contemporâneo - e Million Miles Away, com um approach extremamente setentista (lembrando, em diversos momentos feras do rock sulista americano, como Lynyrd Skynyrd e Neil Young) e melodia e letra de uma beleza ímpar.

Mas a melhor faixa do disco é Endless Parade. Aqui a banda mostra toda sua potencialidade. O arranjo simplista, conforme resta patenet no disco inteiro, é o forte do grupo. Mas Endless soa mais do que simples. É intimista. Aguça o ouvinte a colar o ouvido no rádio (ou no tocador de mp3) e se sentir numa sala de estar com a banda tocando, ao vivo, no fundo. A bateria de Abts é de uma simplicidade que talvez até choque bateiristas mais virtuosos. Mas acho que poucos destes conseguiriam imitá-la com a perfeição a que Abts a performa. A Jam no fim da música é feita especialmente para se ouvir naqueles momentos em que não se quer pensar em nada. A guitarra de Haynes é novamente pontual, somente preenchendo os momentos de silêncio, trabalhando em perfeita coordenação com seu vocal, como um contraponto mesmo. Os solos são simples e irrefutáveis, no melhor estilo blueseiro tão característico do guitarrista. A definição de "feeling" talvez devesse contar com o solo desta canção.

O disco é uma das mais belas obras do século XXI. A banda, uma das melhores dos últimos tempos. Com certeza, é um álbum pra se ouvir.