
Dicionário das Válvulas
Amigos,
Vou postar aqui uma matéria que saiu na Guitar Player ano 9, edição 98, sobre válvulas. Aqueles pequenos invólucros de vidro brilhantes que fazem todos os guitarristas babarem pelo timbre que de lá sai:
Válvulas ou transistores?
A principal diferença entre válvula e transistor é a forma de transferência interna do sinal. Na válvula, este sinal é enviado por meio de um gás e, no transistor, por intermédio de um material semicondutor sólido – por isso amplificadores transistorizados são chamados solid-state. Veja quais os prós e contras dos amps valvulados, comparando-os com os transistorizados:
Prós
- A transição entre som limpo e distorcido é mais suave do que nos aparelhos transistorizados.
- Apresentam maior faixa dinâmica, já que a válvula demora mais para entrar em distorção e comprime gradativamente o som. O transistor responde de forma brusca.
- A distorção natural das válvulas é mais bonita e musical, porque, ao distorcer, elas geram apenas os harmônicos pares, enquanto os transistores produzem todas as ordens de harmônicos.
Contras
- As válvulas devem ser substituídas com freqüência, pois sofrem desgastes. Além disso, são muito mais caras do que os transistores.
- São equipamentos mais suscetíveis a ruídos e microfonias.
- Os amps valvulados são pesados pois possuem transformadores de força maiores e um transformador de saída.- São mais frágeis, porque as válvulas não suportam impactos.- O custo é mais alto, tanto para aquisição quanto para manutenção
Amplificadores Híbridos
Amplificadores híbridos são aqueles que misturam válvulas com transistores em seus circuitos. Aliam as vantagens das duas tecnologias e possuem um preço menor do que um amp totalmente valvulado.
Power valvulado e Pré-amp Transistorizado – O pré-amp transistorizado permite recursos e ganhos maiores a um custo menor. A potência valvulada é ideal para distorções e compressões vintage. A desvantagem da distorção do power é que ela só ocorre em volumes altos. Esse problema é contornado distorcendo o sinal do pré. Como o pré-amp é transistorizado, obtemos uma distorção típica dos pedais e perde-se muito do som valvulado. O Marshall JCM900 faz parte deste grupo.
Pré-amp Valvulados e Power Transistorizado – O pré-amp valvulado preserva o timbre característico das válvulas. A potência transistorizada amplifica sem alterar o som do pré. Porém, ao contrário do power valvulado, o som não fica bom em volumes altos, porque a distorção dos transistores não tem boa qualidade. Contorna-se essa dificuldade produzindo a distorção nas válvulas do pré-amp e aumentando a potência do power, para que seja possível utilizá-lo abaixo do limiar da distorção dos transistores.
Pré-amp Híbrido e Power transistorizado – Chamamos de pré-amps híbridos aqueles que utilizam uma válvula para o canal sujo e transistores para o sinal limpo. É o caso dos Marshall Vavstate VS80 e VS100, por exemplo. É a forma mais barata de produzir um som com tempero vintage, mas não chaga a convencer os guitarristas acostumados com amps valvulados. É uma configuração cultuada por curtidores de som pesado.
Potência
O power, ou potência, é o circuito responsável pela amplificação final do som – sua função é entregar o sinal da áudio amplificado ao(s) alto-falante(s). A potência de saída é dada em watts RMS – Root Mean Squared. Quanto maior este valor, maior a potência do power. Ele pode ser valvulado, transistorizado ou híbrido (mistura as válvulas com transistores).
Pré-Amp
O pré-amplificador, como o nome indica, é o circuito usado antes do power. Ele é responsável pela amplificação do sinal do instrumento musical para o power. O pré discrimina o que é grave, médio, agudo e volume. Também pode ser transistorizado valvulado ou híbrido.
Transformador de força
O transformador de força é o componente responsável pelo fornecimento das voltagens necessárias aos diversos estágios (pré, power etc.) do amplificador. Ele pode ser um componente diminuidor de tensão em amps transistorizados. Para os valvulados, o transformador de força abaixa a tensão para acender os filamentos das válvulas e eleva a tensão para que elas funcionem. Muitos amplificadores possuem uma chave seletora manual para escolher a voltagem necessária; em alguns amps esse chaveamento é automático.
Transformador de saída
Os amplificadores valvulados necessitam de transformador de saída. Ele é necessário para efetuar o casamento de impendância entre as válvulas de saída e os alto-falantes.A impendância das válvulas é alta, normalmente entre 5 Kohms e 100 Kohms, e os alto-falantes possuem impendância de 4, 8, 16 ou 32 ohms – os mais comuns apresentam 4 ou 8 ohms. Os transformadores de saída tem uma resposta não-linear, gerando modificações no timbre. Assim, são responsáveis também pelas diferenças sonoras entre amplificadores valvulados e transistorizados.
Classes de amplificação
Em amps de potência existem formas diferentes de polarizar as válvulas ou transistores, denominadas classes de amplificação. As mais comuns são: classe A, classe B e classe AB
Classe A – Nesta classe, a corrente elétrica circula plenamente pelas válvulas ou transistores. Devido ao seu baixo rendimento, não se costuma usar esta classe acima dos 30 ou 35 watts. Exemplos: Vox AC30 e o Laney VC30 (o meu Amp)
Classe B – Os elementos amplificadores de saída, sempre em número par, funcionam de forma alternada – quando um deles conduz corrente elétrica o outro é desligado. Em classe B, a eficiência máxima de amplificação é maior do que na classe A, ou seja, desenvolvem maior potência com o mesmo número de válvulas ou transistores. A classe B é rara em amplificação para guitarra.
Classe AB – A classe AB é intermediária às classes A e B. Com uma pequena polarização nos elementos de saída obtém-se um alto rendimento, próximo da classe B, e boa linearidade (baixa distorção), como na classe A. É a classe mais utilizada nos amplificadores de guitarra. Exemplos: Marshall JCM900 e Mesa Boogie Dual Rectifier.
Válvulas de pré-Amplificador
As válvulas usadas nos pré-amps dos aparelhos para guitarra são as mesmas em todas as marcas do mercado. Isso se deve às características de alto ganho e baixa distorção destas válvulas. São ótimas para uso em som limpo e distorcido e excelente para compressores de áudio em geral.
Entre as válvulas de pré-amplificação, a mais conhecida é a 12ax7, conhecida na Europa como ECC83. Ela possui alto ganho e é fomada por duas válvulas de triodo em um mesmo invólucro, sendo assim chamada de duplo triodo. Quando queremos menor ganho ou som mais limpo, podemos usar a 12at7 (ECC81). Com ganho menor que a 12at7, as 12 au7, ou ECC82, também são muito utilizadas. Mais raras são as válvulas 12av7 e 12ay7, que oferecem um ganho entre a 12au7 e 12at7.
Phillips 12ax7 – Possuem ótimos graves, médios potentes e agudos claros. Distorcem quando saturadas e ficam um pouco agudas após um certo ponto, mas você pode controlar a agressividade com o botão de tonalidade da guitarra.
RCA 5751 – Equivalente à 12AX7, foi criada para obter maior precisão nos componentes internos e ser mias resistente a quedas, variações de pressão e outras eventualidades (foi criada para uso militar). Seu som é de alta qualidade e fidelidade. Quando saturada, pode-se distinguir as notas dos acordes
RCA 12ax7 – Tem um som equivalente ao da RCA 5751, mas distorce com mais facilidade. É um som de alta fidelidade.
Tesla ECC83 – Possui uma saturação forte nos agudos, além de médios com pouca distorção e poucos graves.Sovtek 7025 – Ganho muito alto, distorcendo com facilidade. Indicadas para envenenar pré-amps.Siemens ECC83 – Saturam muito. Possuem um som com muita distorção, mas não são agressivas, embolando as notas do acorde. Tem muito médio e pouco agudo. Boas para solos.
Válvulas de potência
6L6 – As 6L6 são válvulas de som agudo e médio-agudo. A empresa russa Svetlana continua fabricando estas válvulas. As 6L6 foram muito usadas pela Fender. O par fornece cerca de 50 watts em classe AB.
EL34 – A Marshall começou a usar as El34 porque as 6L6 americanas que a Fender empregava eram muito caras na Inglaterra. A EL34 é uma válvula de som agudo e principal responsável pelo som de Jimi Hendrix. A Svetlana EL34 equipa os Marshall e outros bons amplificadores, pois agüentam alta tensão. A potência é semelhante à das 6L6. As EL34 caracterizam o “som Marshall”.
5881 – A Sovtek fabrica as 5881, válvulas de som tipicamente médio que comprime com muita facilidade. Equipa alguns modelos da Fender, Mesa/Boogie e outros amplificadores modernos. A 5881 da Tung-Sol oferece ótima sonoridade. Um amplificador equipado com essa válvula fica com um som à la Steve Ray Vaughan. Ela possui muita compressão e som bastante claro.
6550 – Este modelo de válvula é um dos mais potentes do mercado. É uma evolução da 6L6, tem mais volume e suporta mais voltagem. Seu som é brilhante, cheio, pouco distorcido e com muita dinâmica. Comprime pouco. É uma ótima opção para quem quer um som claro e definido. Exemplos: Meteoro MHA900.
KT66 – Outra evolução da 6L6, a KT66 é uma válvula de pouca distorção e bastante linearidade. Possui um som bem limpo, menos brilhante e mais arredondado do que a 6L6. É rara e cara. É a versão inglesa da 6L6 americana.
KT88- Esta evolução da 6550 apresenta som gordo e brilhante. A Sovtek KT88 é muito semelhante à RCA 6550.
KT77 – Baseada na EL34, oferece melhor resposta de freqüência e distorce menos do que a sua inspiradora.6V6 – Possui som médio e com bastante compressão. O Fender Princeton e Champ eram produzicos com esta válvula de baixa potência – o par oferece no máximo 30 watts em classe AB.
EL84 – Válvula de baixa potência utilizada nos Vox AC30. Fornece cerca de 8 watts cada uma em classe A e se assemelham ao timbre da EL34. Usuários conhecidos dos vox AC30 são os Beatles e Brian May.
Válvulas Retificadoras
Os amplificadores assim como quase todos os aparelhos eletrônicos, funcionam com corrente contínua e corrente alternada. A corrente contínua possui uma polaridade fixa – é a fornecida por pilhas ou baterias. Quando ligamos o aparelho à tomada da rede elétrica, que fornece energia em corrente alternada, devemos trasformá-la em corrente dentro do aparelho para alimentar seus circuitos. Esta transformação é realizada pelo retificador – alguns modelos possuem mais de um. Nos aparelhos valvulados mais antigos ou em suas reedições, usava-se um único retificador. Após a invenção do diodo, um retificador menor, mais eficiente e barato, a válvula retificadora caiu em desuso. Costuma-se usar um ou mais diodos para efetuar a retificação.Existem algumas diferenças entre o som do amp equipado com válvulas retificadoras e o timbre de aparelho com diodos. Para seu funcionamento, as válvulas retificadoras usam parte da energia fornecida pela fonte do amplificador. Já o diodo não usa energia e custa mais barato. Com válvula retificadora, o som do amp fica mais macio, enquanto os diodos produzem uma sonoridade mais seca.Válvulas retificadoras – Existem vários tipos de retificadoras e, em alguns cassos, um técnico pode substituí-las por modelos diferentes para mudar o som do amp. Aqui estão as mais comuns:
5Y3GT – Usada em amps pequenos, como Fender Champ e Tweed Deluxe. É uma retificadora dupla, ou seja, duas válvulas retificadoras dentro do mesmo invólucro. Puxa uma boa corrente da fonte, amaciando bastante o som.
5U4GB – Muito usada em antigos Fender Twin e Silverface. É uma retificadora dupla. O consumo de corrente de seu filamento é alto e, em caso de usá-la em substituição a outro tipo de válvula, deve-se verificar se o transformador de força pode suportá-la.
GZ34 (5AR4) – É uma retificadora dupla. Sem dúvida, a mais conhecida e usada. Os Fender Tweed Bassman e Twin são exemplos de amps que empregam a GZ34. Por consumir menos energia da fonte, fornece maior voltagem de saída e, por isso, não devem substituir outras válvulas, sob pena de danificar componentes do amp.
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Bom, a minha experiência com válvulas é limitada às 12ax7, no campo das válvulas de pré, e às EL34, EL84 e 6l6, dentre as válvulas de power. E é sobre essas que eu posso dar minha opinião de leigo em eletrônica.
Quanto a 12ax7, pouco posso dizer. Ela é utilizada no pré-amp e pedal de drive Meteoro Dr. Drive que possuo e no meu amplificador, o Laney VC30 212. Realmente, esta válvula produz muito ganho, o que faz excitar mais ainda as válvulas de power, que é de onde vem toda a graça de se ter um valvulado.
As EL84 que possuo no meu amp são válvulas extraordinárias. Na época da compra, pesquisei muito para adquirir meu valvulado. Sempre fui fã do som de Marshall: Hendrix, Page, Slash e etc. Mas, sempre que toquei em amps com válvulas El34 sentia falta de um clean mais vivo, mas cheio, apesar de terem drives magnificos. Em contra partida, sempre achei horríveis os drives das 6l6, em especial nos amps da Fender, apesar de terem o clean mais límpido e transparente de todos, apesar sendo extremamente cremoso, o que me incomoda ás vezes, pois sinto falta do "estalo" que as EL34 proporcionam.
Ao ouvir os sons que os Vox AC30 entregavam, me dei conta de que era aquilo que eu procurava: Um clean vivo, cheio, mas ao mesmo estalado, e um drive que, mesmo não sendo forte e cheio como o de um Marshall com El34, é bastante crunchado e, sabendo escolher os pedais para complementá-lo, um overdrive poderosíssimo.
Como no meu orçamento não cabia um AC30, fui procurando opções de timbre próximos ao dele. Fui até atrás dos handmades, onde é possível conseguir ótimas opções por preços mais em conta. Mas o fator revenda, pra mim, foi muito importante, e acabei conseguindo um bom preço no meu amplificador, o que me fez escolhê-lo e, depois de ouvir o que ele pode fazer, ter a certeza que será meu companheiro por muito tempo.

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